SOLA VERBUM

Sola Verbum é um espaço dedicado à reflexão cristã fundamentada exclusivamente na Palavra de Deus. Aqui, a Escritura é o centro, o texto sagrado é respeitado, e cada leitura busca conduzir o coração à verdade, à fé e à obediência.

Desde o princípio, o sábado foi estabelecido por Deus não como um peso, mas como um presente redentor. Em um mundo marcado pelo trabalho incessante, pela ansiedade e pela escravidão do pecado, Deus separou um dia para lembrar ao ser humano quem Ele é, quem nós somos e de onde vem a verdadeira liberdade.

A Escritura afirma que, após a criação, “descansou Deus no sétimo dia de toda a Sua obra” (Gênesis 2:2-3). Esse descanso não se deu por cansaço, mas por completude e comunhão. O sábado nasce, portanto, como um espaço sagrado onde o homem encontra Deus sem a mediação do esforço humano. Antes do pecado, antes da lei escrita em tábuas de pedra, o sábado já existia como sinal de uma relação viva entre Criador e criatura.

Após a queda, o sábado não perdeu seu significado — ao contrário, aprofundou-o. Quando Deus libertou Israel da escravidão do Egito, Ele vinculou o sábado diretamente à redenção: “Lembrar-te-ás de que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali… pelo que o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado” (Deuteronômio 5:15). Aqui, o sábado aparece claramente como memorial de libertação, um lembrete semanal de que o povo não pertencia mais aos seus opressores.

Ellen G. White reforça essa verdade ao afirmar que o sábado foi dado para restaurar no homem a consciência de sua dependência de Deus. Ela escreve: “O sábado… é um sinal do poder de Cristo para nos santificar. É dado a todos aqueles a quem Cristo faz santos” (O Desejado de Todas as Nações, p. 288). Guardar o sábado não é um meio de salvação, mas uma resposta de fé Àquele que salva.

Jesus confirmou essa visão ao confrontar a religiosidade opressiva de Seu tempo. Quando disse: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Marcos 2:27), Ele revelou o coração da lei divina. O sábado não existe para escravizar consciências, mas para libertá-las. Ele é um antídoto contra a ideia de que o valor humano está no desempenho, na produtividade ou no mérito.

Cristo usou o sábado como palco de cura, restauração e dignidade humana. Ao curar enfermos nesse dia, Ele ensinou que o verdadeiro descanso sabático é experimentar o poder restaurador de Deus. Ellen White comenta: “O sábado chama nossos pensamentos para a natureza e nos põe em contato com o Criador… é um dia de alegria, não de tristeza” (Testemunhos para a Igreja, vol. 6).

Assim, o sábado se torna um sinal de salvação, pois convida o homem a parar, confiar e descansar em Deus. Ao cessar suas obras, o ser humano declara, na prática, que não é salvo por seus esforços, mas pela obra consumada do Criador e Redentor.

Em um mundo moderno que idolatra o trabalho, o consumo e o sucesso, o sábado permanece como um ato de resistência espiritual. Ele proclama que o homem não é máquina, nem escravo, nem produto — é filho. É nesse dia que Deus reafirma semanalmente: “Eu sou o Senhor que vos santifica” (Ezequiel 20:12).

Portanto, o sábado é mais do que um mandamento: é um convite à liberdade, um memorial da criação, da redenção e da esperança futura. Ele aponta para o descanso eterno prometido aos que confiam em Deus, onde toda opressão cessará e a comunhão será plena.

Guardar o sábado é aceitar o presente divino de parar, confiar e viver — não para ser salvo, mas porque fomos libertos.

“Santificai os meus sábados, e servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor vosso Deus.” (Ezequiel 20:20)

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